Suzete Carvalho – Escritora






Suzete Carvalho

Suzete Carvalho

 

Uma entrevista com o escritor Suzete Carvalho —

por Edmundo Cavalcanti

 

1. Quem é você e o que você faz?
Meu nome é Suzete Carvalho.  Funcionária Pública aposentada fui também Dirigente de Associação de Classe, Professora Universitária, Membro do Conselho Consultivo de Editora, Redatora de Jornal e Revista, Conferencista e, até, Instrutora de Iniciação às Práticas Meditativas.  Hoje, sou escritora, com cerca de quatrocentas publicações em prosa e verso em Jornais, Revistas, Livros, Blogs e Sites. Eventualmente, ainda faço palestras.

2. Por que escrever?
Escrevo não apenas porque esse sempre foi o meu sonho, mas, principalmente para passar minhas “vivências e sofrências”, vale dizer, minha experiência acumulada em muitas décadas de trabalho, leitura compulsiva e observação sistemática de meu entorno e das tormentosas questões sociais.

 

Entrevista em outubro de 2010 no Salão Nobre da Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo

Entrevista em outubro de 2010 no Salão Nobre da Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo

 

3. Qual é a sua lembrança mais antiga de querer ser uma escritora?
Lembro de haver feito um longo poema (hoje perdido) em comemoração ao quarto centenário de São Paulo e me sentir muito gratificada por haver escrito. Eu tinha, então, catorze anos de idade e disse a mim mesma que um dia seria escritora.

 

Suzete Carvalho autógrafos evento.

Suzete Carvalho autógrafos evento.

4. Quais são seus assuntos favoritos e estilo(s)?
Atualmente, escrevo principalmente sobre temas abrangentes do comportamento humano, como nossos sentimentos e sobre as questões de gênero e as discriminações que se refletem sobre os relacionamentos e acabam por afetar toda a sociedade.  Escrevo em prosa e verso, à mercê da inspiração, sem seguir um estilo pré-determinado.

 

5. Como é que você trabalha e aborda o seu assunto?
Devo confessar que sou mais intuitiva do que organizada. Gosto de deixar uma música suave de fundo, que ajuda a concentração. Meus temas dependem da inspiração (em geral quando escrevo poemas); dos acontecimentos do momento (para as crônicas) ou dos convites que recebo para publicar artigos e/ou Ensaios (que dependem de pesquisa). Paralelamente, eu estou sempre trabalhando em algum livro. “O Olhar da Caprichosa – a arte de lidar com inveja, preconceito e fenômenos afins”, publicado há um ano, é (por enquanto) a menina de meus olhos, mas tenho outros livros já em fase de revisão.

 

 

6. Quais são as suas obras favoritas escritas, escritores?
Leitora assídua desde a infância, não conseguiria citar muitas das obras e escritores (as) que me encantaram. No Brasil, tenho um especial fascínio por Ariano Suassuna, a quem tive o prazer de conhecer pessoalmente, o cronista Rubem Alves, Marina Colasanti, poetas como Cassiano Ricardo, Carlos Drummond de AndradeMário Quintana e, claro, os clássicos, como Machado de Assis e Guimarães Rosa. No exterior, pra não encompridar a entrevista, fico com José de Sousa Saramago, Simone de Beauvoir, Hannah Arendt, Eduardo Galeano, Erick Fromn e Mia Couto, sem contar os clássicos, Luiz Vaz de Camões e William Shakespeare a Victor Hugo e Ernest Hemingway.

7. Quais são as melhores respostas que você teve ao seu trabalho?
Os convites para palestras e entrevistas e, principalmente, o ‘retorno’ pessoal de leitores e leitoras, que me mandam cartas, emails e fazem depoimentos sobre meus escritos (e/ou compartilham nas Redes Sociais). Também me sinto gratificada quando, (re) conhecida em lugares a que compareço, as pessoas citam algo que escrevi ou perguntam sobre meu trabalho. Já aconteceu de pessoas me mostrarem anotações de frases minhas, que guardam como “lembrete de vida”. Dois causos que me emocionaram foram a entrega por parte da viúva de um ex-diretor do Clube Atlético Ypiranga, de uma crônica minha que ela encontrou dobradinha na carteira do marido falecido, bem como a cartinha da menina Ana Paula, escrita a quatro mãos (com a Professora Elisabeth Telles, especializada em Ensino Inclusivo), pois tem uma deficiência que dificulta a aprendizagem, mas ficou tão encantada com um de meus poemas que insistiu em escrever agradecendo…

 

Lançamento da Antologia  'Cumplicidade de Movimentos'

Lançamento da Antologia
‘Cumplicidade de Movimentos’

 

 

 

 

 

 

 

 

 
8. O que você gosta sobre o seu trabalho?
Da liberdade de poder expressar o que sinto e desses ‘retornos’ espontâneos de leitores e leitoras de todas as idades e status cultural diversos.

9. Que conselho você daria para outros escritores?
Que nunca deixem de observar os acontecimentos e de respeitar o outro, seja ele (ela) quem for que escrevam por (e com) amor (jamais pensando na contrapartida, principalmente econômica) e que sejam persistentes e autênticos.

 

Livros co autoria de Suzete Carvalho.

Livros co autoria de Suzete Carvalho.

 

10. Onde você se vê daqui a 05/10 anos?
Não sei se chegarei lá (rs), mas me vejo em frente ao computador, escrevendo, escrevendo, escrevendo…

VIDA BURLESCA

“Escrevo de corpo e alma
tanto em prosa quanto em verso
não sei se é minha a alma
ou se é do Universo
escrevo no dia a dia
e também na noite adentro
em busca do epicentro
que deflagra a inspiração
mas por vezes confusão
perco a calma a alma a palma
afundo em melancolia
elucubro e tergiverso
busco nova melodia
mudo o tom e desconverso
finjo estar em euforia
novos rumos nova vida
em altos brados proclamo
tentando me convencer
de que há como escapar
das tramas que as moiras tecem
embora no fundo eu saiba
que não passa de utopia.

Resultado adverso
por fim me dou por vencida
faço a volta e recomeço
sigo em frente
enfrento a mente
e torno ao que mais eu amo
plantando nova semente
escrevendo dia a dia
escrevendo noite a dentro
mente, alma e corpo acalmo
linha a linha palmo a palmo
linhas retas linhas tortas
nas ondas do meu viver
pois são muitas as questões
que espero resolver
são dores e são mazelas
tristezas e esparrelas
são dúvidas e ideais
caminhos a percorrer.

Será que fazem sentido
tantas considerações
poético-filosóficas
ou simplesmente serão
palavras desavisadas
e meramente utópicas
embora as tenha vivido
na alma e no coração
ah! quem sabe busco em vão
entender qual a razão
de estarmos a girar
nessa nave gigantesca
no Cosmos a penetrar
tendo uma visão dantesca
do espaço sideral
sem sequer poder saber
quem somos pra onde vamos…
ah! a condição humana
sempre paradoxal
por vezes angelical
por vezes animalesca…
que situação burlesca!”

Publ. in “Palavras Desavisadas de Tudo – Antologia Scortecci de Poesias, Contos e Crônicas 2013” vol.I, 1.ed., SP:Scortecci, 2013, pág.232/233.

 

Suzete Carvalho

Suzete Carvalho

 

 

 

Links —

 
Blog: www.novaeleusis.blogspot.com
Facebook: Nova Eleusis – Página Cultural de Suzete Carvalho e O Olhar da Caprichosa
Twitter: @carvalhosuzete e @caprichosalivro
Entrevistas: www.youtube.com/watch?v=WEErFukkpHI
www.youtube.com/watch?v=bA3jrFvUDIk
www.youtube.com/watch?v=RgrEwk8lLWE
Palestras: http://www.escola.afpesp.org.br/webportal/site/noticias.aspx?idSecao=1&idConteudo=70
www.youtube.com/watch?v=3bQ5xim-v9Q

 

Edmundo Cavalcanti

Edmundo Cavalcanti

 

Edmundo Cavalcanti é nosso colunista de artes para Arts Illustrated em São Paulo, Brasil.