José Henrique Prado — ARTIST






José Henrique Prado

 

Entrevista com o artista plástico José Henrique Prado —

 

1. Quem é você e o que você faz?
José Henrique Prado, nasci em Lisboa, Portugal no ano de 1958.

 

A Orelha

A Orelha – A peça foi concebida e elaborada integralmente pelo autor durante o ano de 2011 e teve por inspiração a execução de uma peça baseada numa parte do corpo humano. O barro utilizado é o refractário com chamote (pequenas pedras – areão – misturado com o barro) o que torna a peça mais pesada. Pode considerar-se que a Orelha representa uma parte da sociedade atual na sua vertente passiva da comunicação, ouvir. A boca pequena e fechada reforçam esta ideia, bem como a necessidade em filtar a informação que chega até nós diariamente.

2. Por que arte?
Ligado à área da cultura, das artes e teatro desde 1976, ano no qual iniciei formação em cenografia. Até ao ano de 1979 colaborei com o Teatro Nacional de S. Carlos sob a orientação de reconhecidos artistas plásticos e cenógrafos tais como Hugo Manoel, Ferruchio Vilagrossi e Samuel Azavey Torres de Carvalho (SAM) Trabalhei com diversos mestres ceramistas dos quais se destaco Alberto Bustos, Alexandra Silva, Catarina Nunes, Inês Diana Salgado, Maria Helena Brízido, Maria João Ribeiro, Nadine
Géniou, Ricardo Lopes e Rute Marcão.

 

At the boarder

At the boarder – Esta peça tem um duplo sentido.
Se por um lado representa as amarras de uma sociedade de informação que nos manipula a belo prazer de modo a fazer nossos os ideais com que pretendem manietar-nos, não é menos verdade que também foi inspirada na tragédia humana dos muitos migrantes em todo o mundo que se veem forçados a migrar em busca de quimeras de melhores dias. Fantasia que os obriga a fugir dos seus lugares de (des)conforto, a guerra, a fome, a tirania e inúmeras formas de opressão.

3. Qual é a sua primeira lembrança de querer ser artista?
Desde cedo a arte, a cerâmica em geral e o azulejo em particular, fez parte do meu imaginário. Um familiar, trisavô, foi pintor de carruagens e, mais tarde, pintor de cerâmica, este ambiente onde cresci foi fortemente influenciador do meu percurso na arte.

4. Quais são seus assuntos e mídias favoritos?
Costumo dizer que gosto da vida e é ela que influência os meus trabalhos artísticos. Não tenho um tema ou assunto favorito, sou eclético nas minhas escolhas de leitura, de música ou outra. Gosto de estar atualizado e a par dos acontecimento no mundo.

 

Goodfelas – Tudo Bons Rapazes

Goodfelas – Tudo Bons Rapazes – Com um toque de humor este trabalho chama-nos a atenção para o estado em que se encontram os recursos naturais do planeta e na maneira desleixada com que lidamos com eles.

5. Como você trabalha e aborda seu assunto?
Sou tocado pelo que acontece à minha volta e, apesar de me repetir, o que me influencia é a vida. Pode ser um artigo de jornal, uma foto, uma série documental ou qualquer outra coisa. Pode ser uma simples conversa com amigos que desperta e dá uma ideia. Não sou imediatista, essa ideia precisa de amadurecer antes de se concretizar

6. Quais são seus trabalhos de arte, artista (s) favoritos?
Gosto muito de água, da vibração que o mar transmite, do ar. Tudo tem o seu próprio pulsar. É difícil definir quais são as influências e artista preferido. Talvez por também gostar de história, o leque é vasto, essa diversidade vai dos clássicos aos mais atuais e não só na cerâmica.

 

Babel

Babel – Simboliza a humanidade na sua diversidade e uniformidade. A conjugação de esforços pode levar o Homem mais longe e mais alto.

7. Quais são as melhores respostas que você teve ao seu trabalho?
O desejo manifesto de algumas pessoas em acompanhar e ver novos trabalhos, de colocarem questões sobre o que envolve determinada peça. O saber que alguém percorreu vários quilómetros para apreciar uma determinada escultura. Os convites, como este, para divulgar a um mundo mais vasto o que faço na área da escultura cerâmica.

 

Sei que não vou por aí

Sei que não vou por aí – Homenagem a José Régio

8. O que você gosta no seu trabalho?
O processo de trabalhar na cerâmica é complexo. Umas vezes começo por um esboço (mental) do que pretendo fazer, outras faço um desenho em papel muito definido do que irá ser o resultado final. Há que ultrapassar questões técnicas. O barro é matéria viva, com vontade própria, durante o processo de moldagem também nos molda a nós. Há um sentimento telúrico ao moldar uma peça. No final, há sempre uma dose de expectativa, pois no forno, o calor pode introduzir alterações que não estavam pensadas. Não esquecer que o barro vai a altas temperaturas (sempre acima dos 950o C).

 

Are you talking to me (detalhe)

Are you talking to me (detalhe) – O humor é uma constante no trabalho do autor e manifesta-se uma vez mais nesta peça. A inversão de posição entre o observador e observado. Quem vê /fala para quem?

9. Que conselho você daria a outros artistas?
Dar conselhos é das coisas mais difíceis. Diria para não desistirem, alimentarem o sonho de fazer e construir algo novo. Encontrem um bom mestre que lhe ensine a parte técnica. Repetir à exaustão para melhorar processos, maneiras de pensar. Acima de tudo, não desistir.

O Ramo

 

10. Onde você se vê daqui a 5 a 10 anos?
O futuro é uma incógnita. Gostaria de continuar a moldar e esculpir o barro.

 

 

José Henrique Prado

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Olívia da Costa

 

Olívia da Costa é o nosso correspondente de artes para a Arts Illustrated em Portugal.

 

 

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